Receitas caseiras para eliminar caracóis

Armadilhas para acabar com caracóis e lesmas:



1 – Cerveja


Uma das soluções mais populares é a aplicação de pratos com cerveja nas zonas mais afetadas. Coloca os pratos ao mesmo nível da terra do jardim e espera que as lesmas e os caracóis caiam lá dentro e se afoguem.
Verifica com regularidade as armadilhas e vai retirando a bicharada!






2 – Cinza, cascas de ovos e cascas de carvalho


As cinzas da lareira, cascas de ovos e de carvalho colocadas à volta das plantas repelem os caracóis e as lesmas pois provocam irritação e desidratação dos mesmos.





3 – Vasos de cerâmica de pernas para o ar


Uma das técnicas mais utilizadas é colocar vasos de cerâmica ao contrário, contra os raios solares e ligeiramente levantados do chão.

Esta técnica resulta muito bem, porque as lesmas e os caracóis estão sempre à procura de um local com sombra para descansarem e, desta forma, os vasos acabam por ser a armadilha perfeita. Inspeciona todos os dias e retira os animais viscosos que estejam no seu interior até que a infestação termine.


E depois de desinfestar aprenda a evitar os caracóis no jardim

Remove todos os detritos que estiverem espalhados no chão do jardim, como tijolos, tábuas, aparas de relva e as ervas daninhas, pois estes são locais tradicionais onde se escondem os caracóis e as lesmas – ao fazê-lo estarás a reduzir o seu habitat.

Livre-se dos caracóis no seu jardim ou horta

Os caracóis e as lesmas são os animais que podem surgir num jardim como pragas, e quando aparecem são uma autêntica dor de cabeça para todos os jardineiros. Saiba como se livrar dos caracóis e das lesmas dos seus legumes e evite que os seus legumes sejam comidos por eles.

Para cuidar de um jardim de vegetais, é necessário livrar-se dos caracóis e das lemas que lá possam existir, uma vez que estes animais podem destruir flores, plantas e vegetais. Os caracóis e as lesmas têm a capacidade de estragar uma plantação da noite para o dia. Para que tal não aconteça, siga as dicas seguintes:

IDENTIFIQUE O INIMIGO

Os caracóis têm formas e tamanhos diferentes. No entanto, a maioria apresenta 5 centímetros de comprimento e uma casca castanha do tamanho de uma bola de ténis de mesa. Tanto os caracóis como as lesmas são hermafroditas, o que significa que têm aparelhos reprodutores masculinos e femininos. Chegam a colocar mais de 400 ovos por ano e fazem-no, preferencialmente, sob escombros, pedras e plantas. As lesmas podem viver até aos 2 anos e os caracóis castanhos até aos 12 anos de idade e o aparecimento de ambos ocorre com mais frequência no início da primavera.

LIMPE CORRETAMENTE O SEU JARDIM

Remova todos os detritos que estiverem espalhados no chão do jardim, como os tijolos, as tábuas soltas, as aparas de relva e as ervas daninhas, pois, estes são os locais tradicionais onde se escondem os caracóis e as lesmas – ao fazê-lo estará a reduzir o seu habitat. Por outro lado, se produz o seu próprio fertilizante orgânico, tenha em atenção que as pilhas de compostagem não devem ficar perto do jardim, porque estas abrigam e servem de alimento para as lesmas e para os caracóis.

REMOVA OS CARACÓIS E AS LESMAS À MÃO

Verifique o estado das plantas do seu jardim e recolha à mão todos os caracóis e lesmas que encontrar. Os agapantos, os lírios e as flores perenes são as preferidas das lesmas e dos caracóis e, como tal, deve dedicar-lhes especial atenção. Por outro lado, quando anoitecer, utilize uma lanterna e siga as pistas brilhantes dos caracóis e das lesmas para as encontrar. Tenha em mente que as plantas que contactaram diretamente com este tipo de animais viscosos devem ser pulverizadas com água e sabão para ficarem mais protegidas contra futuros ataques.

PROTEJA A TERRA DO JARDIM

Para que a terra de um jardim fique o mais protegida possível contra a ação dos caracóis e das lesmas, é fundamental que seja espalhada uma camada de terra diatomácea natural ou agrícola em torno dos canteiros de flores e das plantas individuais. Este tipo de terra atua como um repelente junto dos insetos e é um produto seguro para o homem e para os animais, pois, além de ser natural, não produz resíduos tóxicos, nem reage a outras substâncias. Tenha em atenção que não deve utilizar iscas de veneno para matar as lesmas e os caracóis, porque elas são muito perigosas para a saúde das crianças e dos animais que possam frequentar o seu jardim.

INSTALE BARREIRAS EM TORNO DAS PLANTAS E CANTEIROS DE FLORES

Instale barreiras de cobre com um mínimo de 5 centímetros de largura à volta das plantas e dos canteiros de flores. Ao fazê-lo, estará a proteger a integridade dos seus legumes e vegetais e a manter a beleza do seu jardim. Por outro lado, também pode instalar barreiras naturais para impedir que os caracóis e as lesmas destruam as suas plantações. Coloque cascas de ovos e de carvalho à volta das plantas, uma vez que estes provocam a irritação e a desidratação das lesmas. Pode também utilizar certas ervas como o alecrim, a hortelã e até as algas para repelir os insetos. Assim como a cal, as cinzas de madeira e o farelo de aveia que têm propriedades exclusivas que conduzem à eliminação das lesmas e dos caracóis.

COLOQUE VASOS DE CERÂMICA INVERTIDOS NO JARDIM

Uma das técnicas mais utilizadas para remover os caracóis e as lesmas de um jardim de flores ou vegetais passa pela colocação de vasos de cerâmica de pernas para o ar. Estes vasos devem ser colocados contra os raios solares e ligeiramente levantados do chão, para que lá fiquem acumulados todos os animais viscosos. Esta técnica resulta muito bem, porque as lesmas e os caracóis estão constantemente à procura de um local com sombra para descansarem e, desta forma, os vasos de cerâmica acabam por ser a armadilha perfeita. Inspecione os vasos de cerâmica todos os dias e retire todos os animais viscosos que estejam no seu interior até que a infestação termine.

APLIQUE ARMADILHAS DE LESMAS E CARACÓIS NOS LOCAIS MAIS PROBLEMÁTICOS

Para erradicar uma infestação de lesmas e caracóis de um jardim, pode preparar algumas armadilhas. Uma das mais populares é a aplicação de jarros rasos com cerveja nas zonas mais afetadas. Coloque os jarros ao mesmo nível da terra do jardim e espere que as lesmas e os caracóis caiam lá dentro e se afoguem. Verifique com regularidade em que estado se encontram as armadilhas e, caso exista necessidade, coloque mais cerveja no interior dos respetivos jarros.

PREPARE UMA RECEITA CASEIRA

Se não quiser utilizar cerveja, prepare uma receita caseira para se livrar dos caracóis e das lesmas que se encontram no jardim. Uma das mais conhecidas passa por adicionar ½ colher de chá de mel e leveduras a 1 colher de sopa de açúcar na água de cada armadilha.

Talvez nunca consiga vencer a guerra contra as lesmas e caracóis porque a sua erradicação nunca será a 100%, mas ao seguir os passos apresentados consegue combater a sua existência de uma maneira segura e eficaz.

Procissão dos Caracóis em Nossa Senhora do Fetal

Procissão dos Caracóis Fetal
Procissão dos Caracóis em
Nossa Senhora do Fetal 

A festa de Nossa Senhora do Fetal é também conhecida como a “festa dos caracóis” por causa da sua tradicional e bem conhecida procissão noturna iluminada com cascas de caracóis, recolhidos pela população da freguesia, que nelas colocam azeite e uma torcida de algodão.

A festa integra três procissões: na primeira procissão, realizada no último sábado de setembro, à noite, a imagem de Nossa Senhora parte da Ermida do Fetal para a igreja paroquial.

A segunda procissão é no sábado seguinte, também à noite, em que se faz o percurso de regresso, devolvendo a imagem ao Santuário.

No domingo de manhã, começa uma nova procissão a partir da igreja em direcção à Ermida, onde já se encontra a imagem e onde é celebrada missa solene. A festa prossegue à tarde com a recolha de ofertas acompanhada pela filarmónica.

Já no arraial, é tradição, a filarmónica acompanhar o terço cantado.

Durante as procissões noturnas, todos os caminhos entre a igreja paroquial e o Santuário de Nossa Senhora do Fetal ficam iluminados com as cascas dos caracóis, que, por vezes, reproduzem imagens religiosas ou outros desenhos, fazendo com que a localidade do Reguengo do Fetal, nesses dois fins de semana, seja “vista com outros olhos”.

A produção de caracóis de Samuel Henriques

Samuel Henriques esteve sete anos nos pára-quedistas, em Tancos. Aproveitando a cessação do contrato, a vontade de montar um negócio e a busca por uma situação melhor da que lhe proporcionava o vencimento da Força Aérea, este ex-militar decidiu-se a criar caracóis, fixando para o primeiro ano uma meta que ronde as dez toneladas. A experiência piloto decorre neste momento no Peso (Santa Catarina).
A ideia de ser helicicultor (produtor de caracóis) surgiu por acaso quando, devido a um problema de saúde, o então pára-quedista esteve internado no hospital do Lumiar, antigo hospital da Força Aérea, entre Abril e Julho de 2013. Com tempo livre de sobra, Samuel Henriques fez abundantes pesquisas na Internet para a criação de caracóis, um projecto que o seu pai iniciara, sem sucesso, há 15 anos.
O seu primeiro projecto nesta área, iniciado em Setembro do ano passado, contava com um parque na freguesia de Salir de Matos, em que os caracóis eram alimentados só com produtos biológicos. “Mas não dava lucro porque demorava entre oito a 12 meses até o caracol ficar feito” contou.
Por isso, decidiu abandonar as boas intenções de criar um produto biológico e resolveu apostar numa farinha própria para alimentar caracóis. É que, no fim de contas, o mercado nacional não faz distinção entre os caracóis que são alimentados biologicamente e os que não o são. Por outro lado, ao reduzir o tempo de crescimento em um terço, consegue-se assim acelerar o processo de crescimento que passa a ser inferior a quatro meses.
A partir de Fevereiro deste ano o projecto ganhou, assim, nova forma. Samuel Henriques diz que objectivo passa agora por “perceber o quão rentável pode ser este negócio”. Um negócio que passa por comprar um lote inicial de caracóis pequenos, que depois crescem e se reproduzem. Para o fim deste mês, o helicicultor já prevê uma produção de oito toneladas destes moluscos.
Cada quilo de caracóis pode ser vendido a 2,50 euros no mercado nacional. Mas a aposta é na exportação, até porque “o mercado interno é difícil porque entra muito caracol de Marrocos com o qual é impossível competir” contou o empresário. Os preços que os produtores do Norte de África conseguem alcançar, “apesar de o caracol deles não ter tanta qualidade, são muitos mais baixos, visto que lá se praticam salários mais baixos também” disse.
A solução passa por exportar os caracóis para Espanha, Suíça, Itália e França.
“Potenciar os terrenos”
Inicialmente a ideia de Samuel Henriques era produzir morangos em regime de hidroponia com o apoio do PRODER, mas “não sabia como escoar 70 toneladas de morangos”, e entretanto os prazos para as candidaturas cessaram. O ex-militar sentia necessidade de “potenciar os terrenos” que possui no Peso (Santa Catarina) até porque ficou convencido que os caracóis “têm uma margem de lucro superior à dos morangos”. Por outro lado, o investimento inicial era reduzido, visto que já possuía “pequenas parcelas de terreno, água e as mangueiras” disse à Gazeta das Caldas.
Foi assim com muitas horas de trabalho dele próprio que conseguiu criar um habitat propício às espécies Helix Aspersa Maxima e Petis Gris.
Neste caso, o investimento foi reduzido, mas geralmente, para criar caracóis a céu aberto  num terreno de 2500 m2 são precisos 10.000 euros. Em estufa já ronda os 60.000 euros, mas com a vantagem é que a estufa permite produzir ao longo de todo o ano.
Samuel Henriques explica que um investimento deste tipo, para ser rentável, necessita de um mínimo de meio hectare, que possibilita produzir dez toneladas de caracóis a cada quatro meses.
Artigo de Isaque Vicente in Gazeta das Caldas

Aegista diversifamilia, nova espécie de caracóis

Cientistas escolheram o nome 'Aegista diversifamilia' para nova espécie.
Para os autores os caracóis hermafroditas representam diversidade sexual.

Cientistas da Universidade Nacional Regular de Taiwan resolveram manifestar seu apoio à luta pelo direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo de uma forma inusitada. Deram a uma nova espécie de caracol o nome de Aegista diversifamilia, em uma referência à diversidade de famílias possibilitada pelo casamento igualitário.
Nova espécie de caracol recebe nome que homenageia
 o casamento gay: 'Aegista diversifamilia' 

A descoberta da nova espécie foi publicada esta semana na revista científica "Zookeys".

Até hoje, essa espécie era confundida com aAegista subchinensis, caracol descrito em 1884 e amplamente distribuído em Taiwan. Um dos autores do estudo, Yen-Chang Lee, percebeu em 2003 que havia diferenças entre os exemplares encontrados no leste e no oeste de Taiwan.

A partir dessa observação, pesquisadores fizeram uma análise morfológica e aplicaram marcadores moleculares para verificar se havia diferenças entre os caracois das duas regiões. Os resultados mostraram que realmente se tratavam de espécies diferentes.

Na hora de nomear a nova espécie descoberta, surgiu a ideia de homenagear a diversidade das famílias. "Quando estávamos preparando o manuscrito, era um período em que Taiwan e muitos outros países e estados estavam lutando pelo reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo", diz Yen-Chang Lee.

"Isso nos lembrou que os caracois terrestres da ordem Pulmonata são animais hermafrodidas, o que significa que têm o órgão reprodutivo masculino e o feminino em um mesmo indivíduo. Eles representam a diversidade de orientação sexual no reino animal. Decidimos que talvez fosse uma boa ocasião de nomear o caracol para lembrar da luta pelo reconhecimento dos direitos do casamento entre pessoas do mesmo sexo", completa o pesquisador.

Andrew Zimmern, do Bizarre Foods, adorou os caracóis de Loures

Depois da presença do chef Anthony Bourdain no início do ano, a capital abriu portas ao apresentador do programa norte-americano Bizarre Foods, Andrew Zimmern.
A estreia do episódio dedicado às iguarias mais “bizarras”que se encontram em Lisboa foi ontem nos Estados Unidos, e o artigo com as fotos da experiência gastronómica era no mesmo dia o mais visto no site do Travel Channel.
Andrew Zimmern, do Bizarre Foods
O autodenominado ‘foodie’ e ex-concorrente do Masterchef Rodrigo Meneses foi um dos anfitriões e garante que Andrew Zimmern «gostou de tudo o que provou», sendo os pastéis de nata com caracóis e os bombons com caracóis, que experimentou na Feira do Caracol em Loures, o que mais o surpreendeu.
Mas mais do que mostrar a Zimmern as iguarias mais bizarras que existem em Portugal, o mais importante para Meneses «era mostrar o melhor que temos por cá». «Passamos pelo magnífico Ramiro, para provar o seu marisco fresco e muito bem cozinhado. Demos um salto ao Mercado da Ribeira para provar algumas das iguarias que por lá podem ser encontradas e depois fomos para Loures para o Festival do Caracol. Onde aí sim, pudemos provar coisas que podem ser consideradas “bizarras” para os estrangeiros mas bastante apreciadas cá pelo Burgo.»
Além da gastronomia, o apresentador visitou uma fábrica de conservas, apanhou percebes e «ficou encantado com a beleza de Lisboa e a hospitalidade de Portugal».
Se Zimmern voltar a Lisboa, Meneses já tem um roteiro gastronómico traçado. Voltaria a repetir a cabidela, mas num dos seus restaurantes preferidos, o Stop do Bairro, em Campo de Ourique, e «levava-o à Praia da Adraga para provar o excelente peixe grelhado que por lá servem». No intervalo, aproveitava para «uma visita rápida às várias tascas lisboetas com os seus petiscos deliciosos».

Patrícia Susano Ferreira @destak.pt

Artigo recomendado. Caracóis

Começou em Maio a época dos caracóis e das caracoletas. Diz a tradição popular que a época dos caracóis decorre durante os meses sem erres, começando portanto em Maio e terminando em Agosto. Este ano as chuvas tardias terão atrasado ligeiramente o inicio da época mas mesmo assim já em Abril haviam caracoladas a circular pelas redes sociais fora. Quando não vou comer caracóis fora de casa a sítios como a Adega do Atum (ainda não fui lá picar o ponto este ano...) fazemos em casa, normalmente apanhados pelo meu pai na zona de Vendas Novas. 



A arte da preparação do caracol é uma arte objeto de muitos segredos e os nossos caracóis são sempre melhores que os do vizinho. Esta receita resulta de um cumulo das receitas da minha mãe e do meu sogro ao qual juntei alguns toques pessoais. 


O caracóis idealmente não devem comidos logo após a apanha devendo ser mantidos vivos durante alguns dias numa saca ou outro recipiente para limparem alguma terra e outras impurezas que possam ter, podendo ser-lhes dadas rodelas de batata para que não morram à fome nem fiquem magros. 


O processo de preparação dos caracóis é demorado e se o processo for feito todo de seguida deverá ser iniciado cerca de 2h a 3h antes da hora do seu consumo. O primeiro passo é verificar se a cerveja já está no frigorífico a refrescar. Se não estiver, reabasteçam o frigorífico e ponham algumas no congelador para garantir que têm cerveja fresca quando começarem a comer os caracóis. Depois deste pormenor critico, podem passar à lavagem dos caracóis que ao contrário da cerveja é um dos pontos de discórdia fervorosa entre os apreciadores de caracóis. Há quem defenda a lavagem utilizando somente água fria e há quem defenda a utilização sal e vinagre na água. O sal e o vinagre provocará uma reação do caracol que supostamente expulsará mais muco (ou como as pessoas normais diriam, ranho...). Os opositores da adição de sal e vinagre na lavagem defendem que o sal e vinagre secarão o caracol e que a reação do animal à agressão consumirá energia e líquidos reduzindo a qualidade do caracol. Eu já os lavei das duas maneiras e confesso que não noto uma diferença assim tão radical. Se optar por usar sal e vinagre use com contenção e somente na primeira água de lavagem. Esta é a prática habitual na minha casa. Independentemente disto, colocar os caracóis num recipiente com a água e esfrega-lhos vigorosamente entre as mãos durante 2 ou 3 minutos, mudar a água e repetir até que a água fique relativamente limpa. Normalmente deverão bastar umas 2 ou 3 águas. 



Preferencialmente não os cozinhe logo e deixe-os no tacho sem água durante algum tempo. Não se esqueça de colocar a tampa no tacho pois caso contrário vai ter de andar pela cozinha a apanhar caracóis... Quando faltar cerca de 1h30m para a refeição colocar água no tacho até cobrir os caracóis e pôr o tacho no bico mais pequeno do fogão com o bico no mínimo. Não deverá colocar quaisquer temperos nesta altura. De novo a tampa é essencial... Eles não gostam muito de sauna e vão tentar fugir... A ideia é que a temperatura suba o mais lentamente possível de modo a que os caracóis saiam todos da casca antes de morrerem. Idealmente este processo deverá durar 20 a 30 minutos. Quando já não houver nenhum caracol a tentar trepar a paredes do tacho é sinal que deverão estar todos mortos. Caso deseje dividir o processo de preparação em duas partes este será o ponto ideal para interromper o processo. Conserva-los com água da cozedura e se interromper a preparação por um período prolongado poderá ser recomendável mante-los refrigerados. 



Cerca de 1 hora antes de os servir coloca-los em lume médio para a água da cozedura levantar fervura. Agora a tampa do tacho já é dispensável... Já não vão fugir... Após a água ter levantado fervura retirar a espuma que se vai formando à superfície da água da cozedura com uma escumadeira até que esta se deixe de formar. Nesta altura devem juntar-se todos os temperos com a exceção dos orégãos. Normalmente os temperos que uso são sal, uma cebola cortada ao meio, 3 ou 4 alhos em camisa (com a casca), casca de uma laranja, casca de um limão, uma ou duas folhas de louro, uma malagueta fresca sem sementes e bacon cortado em fatias pequenas. Normalmente acrescento um caldo de carne tipo knorr. Heresia, dirão... Mas resulta... Se preferirem podem preparar um caldo de carne caseiro que certamente fará ainda melhor figura. Por vezes uso restos de molhos de pratos de carne para complementar ou substituir o caldo de carne. Da última vez que fiz usei um resto de molho de ensopado de borrego que tinha no congelador. Sejam criativos, tenham só cuidado para não usar molhos demasiado gordurosos, pois embora se deva acrescentar um pouco de gordura no tempero, o molho não deverá ficar gorduroso. Assim se não acrescentaram qualquer outra gordura devem acrescentar um pouco de azeite. O bacon também pode ser substituído por toucinho, presunto ou chouriço embora eu prefira o bacon pela combinação do fumado e da carne magra com a gordura. A malagueta fresca pode ser substituída por secas ou por molhos picantes mas sempre com contenção. O picante deve ser usado para temperar e não gosto que este comece dominar os sabores. Prefiro as malaguetas frescas porquê normalmente dão um picante bastante suave em que se sente o picante sem que este seja demasiado agressivo.


Dois temperos que são menos tradicionais mas que uso com bons resultados é o Glutamato de Sódio (também conhecido como Glu-Tai-Moto ou Aji-No-Moto) e o Caril. O Glutamato de Sódio é uma espécie de sal que confere aos alimentos o chamado quinto sabor, o umani, e que funciona também como intensificador de sabor. É muito usado na comida japonesa e chinesa e devido às suas propriedade de intensificação de sabor permite reduzir a quantidade de sal nos alimentos. É um aditivo alimentar considerado tão ou mais seguro que o sal e provavelmente mais saudável, embora seja por vezes associado a reações alérgicas. Não existem estudos conclusivos acerca da sensibilidade ao Glutamato de Sódio mas os estudos efetuados parecem indicar uma sensibilidade em menos de 1% da população com efeitos muitos ligeiros. Há uns anos um chef amigo partilhou este "segredo" com o pai da Ana e normalmente adicionamos um pouco de Glutamato de Sódio além do sal. 




A ideia do caril tive-a enquanto comia uns caracóis na Adega do Atum. A certa altura pareceu-me sentir um ligeiro sabor a caril nos caracóis e pareceu-me bem... Não sei ao certo se eles usam ou não e até pode ter sido a combinação de outros sabores que me fizeram lembrar caril mas o que é certo é que experimentei e resulta. Deve ser usado com contenção, pois o objectivo não é fazer caril de caracol mas só dar ao caracol mais um pouco de tempero. Provavelmente o cheiro a caril ficará a sentir-se na cozinha mas se não exagerarem na quantidade depois não se irá sobrepor aos outros sabores do molho.



Com os temperos todos no tacho deve-se deixar em lume brando durante uns 10, 20 minutos para que os temperos cozinhem e se integrem no sabor do molho e do caracol. Provar o molho para ver se é necessário acrescentar mais sal. Provar os caracóis não servirá de muito pois neste momento estes ainda não deverão ter adquirido todo o sabor dos temperos. Depois de corrigido o nível de sal deixar ao lume durante mais uns minutos e desligar o lume. Só agora deve ser acrescentada uma dose generosa de orégãos. Se o orégãos forem acrescentados juntamente com os outros temperos poderão deixar ficar um amargor menos agradável pelo que só deverão ser acrescentados nesta altura. Há quem use os ramos dos orégãos com menos folhas para evitar este amargor e os junte com o resto dos temperos mas cá em casa preferimos usar as folhas e acrescenta-las só no fim. Com o lume já apagado deverá esperar-se pelo menos meia hora antes de servir os caracóis para que estes ganhem o sabor dos temperos.


Aproveitem esta meia hora para torrarem pão, que com um pouco de manteiga, fará muito boa companhia aos caracóis. Eu sei que quem cresceu a norte do Tejo não percebe bem esta coisa de acompanhar caracóis com pão torrado mas vão por mim, funciona. 

Autoria: Rui B. Pereira  (in Reserva Recomendada)

Jogo dos caracóis

Um jogo ao estilo Angy Birds mas com os nossos amigos caracóis Muito divertido de jogar

Estão de volta os caracóis!

Todos os anos a fórmula repete-se: chega o calor e as esplanadas enchem-se de fanáticos dos caracóis. Um negócio sazonal, alimentado (também) à custa das toneladas que se importam de Marrocos

A época dos caracóis abre mesmo antes de abrir. Depois de um inverno à míngua, assim que surgem os primeiros dias de calor, os clientes habituais começam a perguntar por este petisco nos restaurantes e cafés. Mas só agora eles estão por todo o lado, fazendo-se anunciar com um "Há Caracóis", pespegado nas montras.
Esta é a altura em que a população se divide entre os que não compreendem a euforia em torno destes pequenos animais ("blegh!"), que se sugam com a ajuda de um palito, e os que não perdem uma oportunidade para comê-los enquanto dura a estação.
Cristina Santos Silva, 49 anos, está todo o ano à espera que os caracóis lhe caiam no prato. De maio a agosto, junta-se com as amigas todas as sextas-feiras, para satisfazer esse desejo. Entretanto, vai aproveitando os finais de tarde para continuar a petiscar com a família. Encontramo-la no Boa Esperança, em Benfica, à mesa com o seu filho António Bernardo, de 22 anos. Enquanto falamos, os dois despacham uma travessa (€8) - "há que comê-los quentinhos". E assim que a cunhada Sofia se senta à mesa, mandam logo vir outra.
Esta pequena cervejaria tem bom caracol, diz-se. Há pelo menos 28 anos, desde que Joaquim Gomes pegou no negócio, que assim é. O fornecedor traz-lhe carregamentos da zona de Fátima e, como o armazém fica na Brandoa, pode pedir-lhe mais, consoante a procura, mesmo que seja ao fim de semana. "O nacional é mais pequeno e fininho, mas também mais saboroso. Os clientes estão habituados a estes", nota Joaquim.

De Marrocos, ao preço da chuva
Já se sabe: o nosso está sempre a ser comparado ao de Marrocos, país de onde vem a maioria dos espécimes que se comem em Portugal. Francisco Conde, da Casa dos Caracóis, é um dos maiores responsáveis por importá-los, abastecendo os principais supermercados e restaurantes nacionais (a norte do Mondego ninguém quer saber desta iguaria). Só em 2013 - "um ano espetacular" - comprou cem toneladas por semana. Quando a época acaba, Francisco Conde pega na família e vai passear. O negócio, diz, "dá para vivermos todos, o ano inteiro".
Agora, está prestes a abrir a primeira casa em Lisboa, na Rua de Campolide (tem mais nove na margem sul). Trata-se de uma "superloja, que também tem take away", onde haverá caracóis crus (de €2 a €3,5 o quilo) ou cozinhados (€8,5 a dose). Ele compra-os a menos de um euro por quilo aos marroquinos. Não admira, pois, que em Portugal não haja produção de caracóis (só de caracoletas). Mónica Faria, presidente da única cooperativa agrícola de helicicultores, que apenas investe na caracoleta, explica: "Eles chegam de Marrocos ao preço da chuva. É impossível concorrer com aquele produto."
No entanto, Paulo Fragoso, da Biocaracol, dedica-se a distribuir exemplares nacionais, que são apanhados por várias pessoas nos campos da região de Santarém. E chega a vender cerca de mil quilos por semana, dependendo da qualidade do marroquino. "Esse acaba mais cedo do que o nosso, porque lá faz muito calor. Então, passo a trabalhar com o nacional", explica Vasco Rodrigues, filho do Júlio dos Caracóis, uma instituição na matéria. Neste momento, há 310 lugares na Rua Vale Formoso, perto de Chelas, à espera dos clientes habituais, que já nem questionam o segredo para tanto sucesso. "Só posso dizer que usamos uns produtos que vêm de Espanha", desvenda. De resto, é ele quem lava e coze os gastrópodes, com toda a ciência. O resultado está à vista de quem por lá passe: "A partir das cinco da tarde até às dez da noite é um mundo de gente." Com doses a cinco euros, faça-se as contas...

Petiscar sem culpa
Descansem os adictos de caracóis - desde que não se abuse nas imperiais que normalmente os acompanham, nem se mergulhe o pão no molho, estes petiscos só trazem benefícios nutricionais. Eles são:
  • Ricos em água (70 a 85%)
  • Muito proteicos (13 a 15%)
  • Pobres em lípidos (0,3 a 0,8%), mas com boa quantidade de ácidos gordos polinsaturados
  • Abundantes em sais minerais, sobretudo magnésio, cálcio, ferro, cobre e zinco
  • Dietéticos - 100g de caracóis cozinhados têm menos de 100 calorias

Caracóis: petisco nutritivo de verão


Rico em proteínas, pobre em gorduras e calorias, o caracol é um bom alimento em casa ou no restaurante.

À venda sobretudo entre maio e princípio de setembro, os caracóis são um petisco de verão muito apreciado. Em França, são conhecidos por escargots. Em Portugal, são caracóis ou caracoletas, consoante o tamanho. Constituídos por água, ricos em proteínas e pobres em gorduras, os caracóis são um alimento nutritivo.
Calorias a acompanhar
Pesquisámos em laboratório o valor nutricional de 100 gramas de caracóis cozidos em água e comparámos com os vendidos em restaurantes já cozinhados. Não encontrámos diferenças significativas entre os dois modos de preparação.
A água é o principal constituinte do caracol. É ainda um alimento rico em proteínas e pobre em gorduras. Contém sais minerais, como magnésio, ferro e zinco que garantem a saúde do organismo.
Mesmo os caracóis cozinhados em restaurantes têm um baixo valor calórico: cerca de 100 kcal por 100 gramas. A forma como são confecionados não altera as suas calorias, mas o acompanhamento da refeição, como cerveja ou pão, já faz a diferença.
De Marrocos para Portugal
A maioria dos caracóis à venda são oriundos de Marrocos. A pouca criação que existe no nosso país é, sobretudo, de caracoleta.
Comprado a cerca de 1 euro por quilo, em Marrocos, são vendidos por um preço bastante superior nos cafés e restaurantes. Uma dose, equivalente a um prato de sobremesa, custa cerca de 5 euros. Nos mercados e lojas são vendidos vivos entre € 3 e € 5 por quilograma.
Calorias do Caracol - Mapa comparativo
Calorias do Caracol - Mapa comparativo

Preparar e degustar sem riscos
  • Ao cozinhar caracóis em casa, tenha cuidado com a limpeza dos mesmos, dado o seu pé estar em constante contacto com o chão. Comece por retirar, com a ponta de uma faca, o opérculo, ou seja, uma formação calcária que tapa a abertura da concha.
  • Verifique se o animal está vivo. 
  • Lave os caracóis com água morna e sal. Repita a operação várias vezes, mudando sempre a água. Coloque-os numa panela com água e cozinhe-os em lume brando. Depois de cozidos, escorra-os.
  • Ponha os caracóis de novo numa panela com água. Tempere com sal, alho, cebola, orégãos, margarina e, se gostar, piripíri ou presunto. Deixe cozer cerca de 40 minutos.

Festival do Caracol Saloio de 10 a 27 de Julho em Loures

Está de volta o evento por que muitos esperavam. O Festival do Caracol Saloio vai decorrer de 10 a 27 de julho, junto ao Pavilhão Paz e Amizade, em Loures.

Já é uma tradição e um ponto de passagem obrigatório para todos os amantes de caracóis. O evento irá contar com a presença de dez tasquinhas, acompanhadas de muita animação musical, nas quais poderá apreciar iguarias tão variadas como Feijoada de Caracoleta, Rissóis de Caracol, Caracoletas à Bulhão Pato, Pataniscas de Caracol, Ovos Mexidos com Caracoleta e Farinheira, entre muitos outros pratos criativos.
Artesanato e animação infantil são outras das atrações deste festival que decorre de segunda a sexta-feira, das 17h00 às 24h00, e aos fins-de-semana, das 16h00 às 24h00.
Consulte aqui o programa.
Nota: no âmbito da realização do Festival do Caracol Saloio, o parque de estacionamento junto ao pavilhão Paz e Amizade irá encerrar de 27 de junho a 1 de agosto. 

Festival do Caracol no Vale de Santarém



O Rancho Folclórico do Vale de Santarém vai realizar entre 26 e 29 de Junho a oitava edição do seu Festival do Caracol.
Além dos muitos petiscos no bar do recinto, o destaque vai para a actuação de David Antunes e a Midnight Band, no sábado, 28, a partir das 22h00.
Antes, na sexta-feira, às 17h00, a abertura do festival fica marcada pela exibição, em ecrã gigante, do jogo Portugal - Gana, a contar para a última jornada da primeira fase do mundial de futebol. A partir das 21h30 atua o duo Novo Ritmo.
No domingo, 29, o ponto alto será a mega aula de zumba, prevista para as 21h30

O primeiro pastel de nata de caracol

O pastel de nata de caracol é uma das novidades da edição de 2014 do Festival Internacional do Caracol, em Castro Marim, que regressa à Colina do Revelim de Santo António, de sexta a domingo.
Ao longo dos três dias do festival, 14 tasquinhas vão confeccionar perto de três mil litros de caracol preparado "à moda do Algarve" mas também com propostas de chefs franceses, espanhóis, italianos e marroquinos, explicou à agência Lusa a vereadora Filomena Sintra.
O evento, que vai na sexta edição a nível internacional, oferece ao público um "menu" onde o caracol é o ingrediente estrela mas onde não vão faltar a doçaria típica do Algarve, a animação de rua e um cartaz de espectáculo musicais.
O pastel de nata de caracol vai ser apresentado por um participante de Loures que se propõe a apresentar uma nova receita por ano, tendo no ano passado lançado a empada de caracol que este ano volta ao festival com a receita "afinada", explicou a vereadora.
Filomena Sinta explicou ainda que foram preparadas actividades dedicadas aos mais jovens, que incluem acções de sensibilização e informação sobre o caracol e também a iniciativa "adopta o teu caracol".
"As crianças podem levar um caracol para casa", contou a vereadora da cultura da Câmara de Castro Marim acrescentando que as crianças escolhem um caracol, dão-lhe um nome, colocam numa caixa alusiva à iniciativa e levam-no para casa.
Filomena Sintra disse que são esperados milhares de visitantes e que estão a fazer promoção para atrair visitantes espanhóis.
Aquela responsável contou que o número de visitantes espanhóis tem vindo a intensificar-se a cada edição, mas admitiu que a ideia generalizada de que o acesso ao Algarve implica pagamento de portagens não facilita a decisão dos turistas.
"Em todos os nossos materiais gráficos colocamos sempre a frase 'num Algarve sem portagens' mas mesmo assim é difícil" explicar que existem duas saídas não portajadas, comentou a vereadora.
Afirmar Castro Marim como destino dos melhores caracóis do Algarve e potenciar os produtos tradicionais, a cozinha e a cultura mediterrânicas é o objectivo da iniciativa.
O festival abre diariamente às 18:00 e a entrada no recinto e os espectáculos são gratuitos.
Lusa/SOL

CURSO: Workshop em Criação de Caracóis

A todos os que nos têm contactado sobre a realização de cursos ou workshops de criação de caracóis, deixamos esta sugestão um pouco já em cima da hora mas da qual só agora tomámos conhecimento.
Atenção que as informações devem ser obtidas junto dos promotores do evento, pelo que se aconselha que estejam ligados no facebook antes de aceder ao evento.






Chegou a época de comer caracóis !


Estão de volta os caracóis!

Todos os anos a fórmula repete-se: chega o calor e as esplanadas enchem-se de fanáticos dos caracóis. 
Um negócio sazonal, alimentado (também) à custa das toneladas que se importam de Marrocos


A época dos caracóis abre mesmo antes de abrir. Depois de um inverno à míngua, assim que surgem os primeiros dias de calor, os clientes habituais começam a perguntar por este petisco nos restaurantes e cafés. Mas só agora eles estão por todo o lado, fazendo-se anunciar com um "Há Caracóis", pespegado nas montras.
Esta é a altura em que a população se divide entre os que não compreendem a euforia em torno destes pequenos animais ("blegh!"), que se sugam com a ajuda de um palito, e os que não perdem uma oportunidade para comê-los enquanto dura a estação.
Cristina Santos Silva, 49 anos, está todo o ano à espera que os caracóis lhe caiam no prato. De maio a agosto, junta-se com as amigas todas as sextas-feiras, para satisfazer esse desejo. Entretanto, vai aproveitando os finais de tarde para continuar a petiscar com a família. Encontramo-la no Boa Esperança, em Benfica, à mesa com o seu filho António Bernardo, de 22 anos. Enquanto falamos, os dois despacham uma travessa (€8) - "há que comê-los quentinhos". E assim que a cunhada Sofia se senta à mesa, mandam logo vir outra.
Esta pequena cervejaria tem bom caracol, diz-se. Há pelo menos 28 anos, desde que Joaquim Gomes pegou no negócio, que assim é. O fornecedor traz-lhe carregamentos da zona de Fátima e, como o armazém fica na Brandoa, pode pedir-lhe mais, consoante a procura, mesmo que seja ao fim de semana. "O nacional é mais pequeno e fininho, mas também mais saboroso. Os clientes estão habituados a estes", nota Joaquim.

De Marrocos, ao preço da chuva
Já se sabe: o nosso está sempre a ser comparado ao de Marrocos, país de onde vem a maioria dos espécimes que se comem em Portugal. Francisco Conde, da Casa dos Caracóis, é um dos maiores responsáveis por importá-los, abastecendo os principais supermercados e restaurantes nacionais (a norte do Mondego ninguém quer saber desta iguaria). Só em 2013 - "um ano espetacular" - comprou cem toneladas por semana. Quando a época acaba, Francisco Conde pega na família e vai passear. O negócio, diz, "dá para vivermos todos, o ano inteiro".
Agora, está prestes a abrir a primeira casa em Lisboa, na Rua de Campolide (tem mais nove na margem sul). Trata-se de uma "superloja, que também tem take away", onde haverá caracóis crus (de €2 a €3,5 o quilo) ou cozinhados (€8,5 a dose). Ele compra-os a menos de um euro por quilo aos marroquinos. Não admira, pois, que em Portugal não haja produção de caracóis (só de caracoletas). Mónica Faria, presidente da única cooperativa agrícola de helicicultores, que apenas investe na caracoleta, explica: "Eles chegam de Marrocos ao preço da chuva. É impossível concorrer com aquele produto."
No entanto, Paulo Fragoso, da Biocaracol, dedica-se a distribuir exemplares nacionais, que são apanhados por várias pessoas nos campos da região de Santarém. E chega a vender cerca de mil quilos por semana, dependendo da qualidade do marroquino. "Esse acaba mais cedo do que o nosso, porque lá faz muito calor. Então, passo a trabalhar com o nacional", explica Vasco Rodrigues, filho do Júlio dos Caracóis, uma instituição na matéria. Neste momento, há 310 lugares na Rua Vale Formoso, perto de Chelas, à espera dos clientes habituais, que já nem questionam o segredo para tanto sucesso. "Só posso dizer que usamos uns produtos que vêm de Espanha", desvenda. De resto, é ele quem lava e coze os gastrópodes, com toda a ciência. O resultado está à vista de quem por lá passe: "A partir das cinco da tarde até às dez da noite é um mundo de gente." Com doses a cinco euros, faça-se as contas...

Petiscar sem culpa
Descansem os adictos de caracóis - desde que não se abuse nas imperiais que normalmente os acompanham, nem se mergulhe o pão no molho, estes petiscos só trazem benefícios nutricionais. Eles são:
  • Ricos em água (70 a 85%)
  • Muito proteicos (13 a 15%)
  • Pobres em lípidos (0,3 a 0,8%), mas com boa quantidade de ácidos gordos polinsaturados
  • Abundantes em sais minerais, sobretudo magnésio, cálcio, ferro, cobre e zinco
  • Dietéticos - 100g de caracóis cozinhados têm menos de 100 calorias

Luísa Oliveira (texto publicado na VISÃO 1107, de 22 de maio)

Criação de escargots no Brasil é um investimento lucrativo

Aprenda as técnicas de criação e seja um diferencial no mercado


Escargots têm baixo teor de gordura e colesterol

A criação de escargot, também conhecida como helicicultura, destinada ao comércio no Brasil é recente, data do início da década de 80. Antes disso, os moluscos eram criados como atividade meramente esportiva, por hobby. A necessidade de direcionar esse produto ao comércio é oriunda de uma demanda cada vez mais maior em relação a esse tipo de alimento, nobre e saudável. A carne de caracol é rica em diversas substâncias, como proteína, cálcio, ferro, magnésio e sódio. Quando comparada a outras fontes proteicas, ela ainda se destaca pelo seu baixo teor de gordura e colesterol.

Como criar escargots

O curso Escargots: A Tecnologia Correta de Criação, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas, ensina como proceder com o planejamento e a instalação desse negócio, como deve ser feito o manejo e o comércio dos moluscos, além de explicar em detalhes como ocorre a reprodução e a prevenção de doenças em escargots. O professor Edson Assis Mendes e o zootecnista José Luiz Machado, ambos do Instituto de Zootecnia da UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, elencam as espécies de escargots e as características que qualificam cada uma delas.

Instalações da helicicultura

Escargots são ricos em proteína, cálcio, ferro, magnésio e sódio

A instalação necessária para que a criação desses moluscos seja iniciada vai depender de diversos fatores, como a quantidade de animais que se pretende criar, o clima e o relevo do local. É imprescindível que o local onde serão depositadas as caixas de criação seja bem fechado para proteger os caracóis de possíveis predadores e para facilitar o controle da temperatura e da umidade. Mendes e Machado citam que um umidificador é suficiente para ambientes de pequenas criações. No entanto, ele pode ser substituído por borrifadores ou bicos aspersores de água.

Sistemas de criação


O professor e o zootecnista elencam e caracterizam os três tipos de criação de moluscos possíveis:
- Sistema extensivo: quando os escargots são criados ao ar livre;
- Sistema semi-intensivo: quando a eclosão dos ovos ocorre em ambiente controlado, mas os moluscos jovens são levados para o ambiente externo depois de 6-8 semanas;
- Sistema intensivo: quando os caracóis são mantidos em cativeiro.

Caixas de criação

Os animais e seus excrementos não lançam mau cheiro no ambiente de criação

As caixas de criação, segundo Mendes e Machado, devem ser mantidas a uma certa distância do chão a fim de facilitar o manuseamento. Esses pés, ou estacas, precisam ser revestidos com um “avental” de plástico ou metal para impedir que possíveis predadores tenham acesso aos caracóis e os ataquem. Essas caixas de criação, normalmente quadradas ou retangulares, não podem ser depositadas em locais que recebam incidência direta de sol e chuva. É recomendado que sejam feitas pequenas aberturas no fundo das caixas para que o excesso de água não se acumule em seu interior. A terra, escura e crivada, deve ser depositada até uma altura de 18-25 cm.

Considerações sobre a comercialização


Mendes e Machado citam as possibilidades de comercialização que podem ser exploradas pelos criadores de escargots:
- venda de escargots vivos para indústrias de conserva;
- venda de carne congelada;
- venda de pratos prontos (congelados ou não);
- venda de conchas para artesanato;
- venda de conchas para produção de ração animal;
- venda de iscas vivas para pescaria.
O mercado consumidor de escargots é formado por restaurantes, hotéis, gourmets shops, supermercados, famílias, indústrias de conserva, exportadores, decoradores, arquitetos, boutiques, indústrias de ração e pesqueiros do tipo “pesque e pague”.

No sistema extensivo, os moluscos são criados ao ar livre

Vantagens da criação de escargots

Entre as vantagens da criação de escargots, pode-se destacar a possibilidade de executarmos tal atividade em pequenas propriedades cujo manejo seja oriundo da mão de obra familiar, tornando-a menos custosa. Além disso, ela dispensa tecnologias avançadas; os animais e os seus excrementos não lançam mau cheiro; as instalações e o manejo são simples, bem como as ferramentas e os equipamentos necessários são baratos.

Por Camila Guimarães Ribeiro

Receita de Caracóis à Algarvia

Se excluirmos os produtos do mar, os caracóis são, sem dúvida, o grande petisco do verão para algarvios e alentejanos.
Há quem prefira as caracoletas (maiores e mais escuras), quem goste apenas dos caracóis (mais pequenos e com coloração castanho-amarelada) e quem misture ambos no mesmo tacho. Claro que, para muita gente, a simples ideia de comer caracóis é repugnante. Mas perca o preconceito e prove-os à algarvia, feitos com aquela simplicidade que apenas os pratos do sul possuem e que transforma os ingredientes mais vulgares em verdadeiros manjares.
Está pronto para a receita?
Idealmente, o leitor apanharia os seus próprios caracóis. Passearia, assim, pelo campo, respiraria ar puro e os odores da terra e, mais importante, saberia a verdadeira proveniência dos seus caracóis (não os apanharia nas imediações de uma ETAR, de uma estrada cheia de emissões de escapes de automóveis, etc.)
Antes de lhes apontar a panela como destino, deixaria os gastrópodes alguns dias numa caixa de madeira ou num saco de serapilheira e alimentá-los-ia com farinha de trigo ou rodelas de batata, para que perdessem o visco, as toxinas e o sabor acre de algumas ervas, aproveitando ainda para os engordar um pouco mais.
Mas o leitor não é dado a passeios pelo campo ou os únicos caracóis de que dispõe nas redondezas são produzidos em salões de cabeleireiro. Pois bem, compra-os (a medida tradicional é o litro) e salta os passos anteriores, dirigindo-se de imediato ao tacho. Começa por lavar os bicharocos em várias águas até que não haja vestígios de visco. Põe-nos na caçarola, cobre-os de água, junta-lhes com generosidade uns quantos dentes de alho esmagados com a casca e coloca-os em lume muito brando para que, com as suas anteninhas, espreitem para fora das conchas e se torne mais fácil alcançá-los. Entretanto agarra numa boa quantidade de paus de orégão (apenas os paus, já que as folhas tornam o petisco mais amargo), acrescenta-os ao tacho e tapa-o. Ao detectar que as alimárias deixam de se mover, aumenta o lume.
Espera que esteja quase a levantar fervura para lhes juntar o sal. Dois bons punhos, sem medo. Deixa ferver quatro ou cinco minutos, prova-os, corrige o sal se necessário (ou desliga o lume e deixa-os dentro da panela outros quatro ou cinco minutos para que absorvam o sal suficiente), escorre-os, serve-os e delicia-se, caçando-os com a ajuda de um alfinete, espeto ou pico de piteira.
Acompanha com cerveja ou vinho branco bem gelados e pão torrado com manteiga. Se não os provar, mais fica para nós e quem perde é o leitor. Um bom preconceito não vale, afinal de contas, um único caracol.
Nota: Claro que pode cozinhar os caracóis de outras formas, guisados, por exemplo, com chouriço e tomate, como nesta...


Receita de Caracóis Guisados à Moda de Minha Casa

Se os apanhou na natureza, deixe jejuar os caracóis durante uma semana a dez dias, para que percam o visco e o sabor de algumas ervas. Lave-os bem, em várias águas, antes de cozinhar.

Precisa de 1 kg e meio de gastrópodes, os ditos caracóis, para 4 pessoas.

  • 1 cebola
  • 1 tomate grande
  • 50g de chouriço
  • 50g de presunto, bacon ou toucinho entremeado
  • 6 dentes de alho
  • 1 copo de vinho branco
  • 3 colheres de sopa de azeite
  • sal, pimenta, piri-piri, dois dentes de cravinho e orégãos

Comece por refogar a cebola, o tomate (partidos em bocados, claro) os enchidos (em pequenos cubos) e o alho em lâminas.

Junte os caracóis, o vinho branco e outro tanto de água, acrescente os temperos excepto os orégãos, tape e deixe cozinhar lentamente (isto é especialmente importante para que os caracóis saiam um pouco das suas cascas e se torne mais fácil comê-los). No final polvilhe com os orégãos e sirva quente. Utilize um alfinete ou um pequeno espeto para retirar o caracol da sua concha e acompanhe com pão caseiro.
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